A conferência Estadual de Cultura, realizada em Campo Mourão aconteceu neste dia 27 de novembro de 2009, ponto! Agora começam os a-partes.



O grande evento contou com apresentações artísticas na recepção, mais apresentação artística dentro do espaço, agradecimentos de todos os políticos presentes, aprovação de cima para baixo dos regimentos e almoço. Este por sua vez, contava com banda musical em volume ligeiramente superior ao necessário para se conversar sobre o período que havia encerrado, mas tranquilo, a comida era boa e as pessoas é claro queriam espairecer, para que conversar sobre, não é?



O período da tarde iniciou com mais apresentação artística e mais apresentação artística, para em seguida passarmos duas profundas horas de discussão sobre todas as questões estaduais!!!Hein!!! Textos reelaborados, ações melhores explicitadas e poucas diretrizes, aprovação por aclamação, depois de perder duas horas no período da manhã discutindo sobre se visitantes teriam voz, acabou que tiveram voto e não voz, já que era por aclamação. Depois das horas mais proveitosas que eu já ví em toda a minha vida, finalmente para encerrar o dia, mais apresentação!



OBS: Alguém me avise quando os trabalhadores de cultura do Estado do Paraná tiverem saído do pré para que finalmente possamos conversar sem que a voz dos dirigentes (que deveriam falar por todos nós) sejá impositiva, numa verticalidade pouco politizada, onde cultura ainda é entretenimento.
Alguém me avise quando o clientelismo tiver acabado e os políticos tenham parado de babar o ovo um do outro, com direito a declamação de poesia e tudo.
Alguém me avise quando aqueles que querem falar o assim possam fazer, sem serem barrados por um ditador.
Alguém me avise quando as diretrizes possam ser definidas pelos trabalhadores da cultura.
Alguém me avise quando a cultura tiver deixado de ser moeda de troca, mercadoria, entretenimento e estratégia política de alienação.
Enquanto isso companheiros de jornada "uni-vos"!!!


A FUNARTE através do Prêmio Myrian Muniz acaba de premiar a Fábrica de Teatro do Oprimido com a peça "Café Quente Em Noite Fria", que neste dia 03 de outubro também recebeu uma premiação no Festival de Teatro de Campo Mourão (ver matéria abaixo).


Foi publicado hoje na página oficial da FUNARTE a listagem dos premiados pelo Myrian Muniz 2009 e dentre eles está a FTO com a peça Café Quente Em Noite Fria, que agora circulará por cinco cidades paranaenses "contando a história da história" como diz o ator Glauco Garcia no prólogo da peça.


Café Quente Em Noite Fria narra a história camuflada por quem viu a geada de 1975 como "desígnios enviados por DEUS para alavancar o norte do Paraná" (falas do texto), narra a história não contada, a versão dos que não foram ouvidos porque foram massacrados pelo momento histórico.


E agora teremos a oportunidade de conhece-la através da versão levantada pelo grupo Caos & Acaso da Fábrica de Teatro do Oprimido que a levará para cinco cidades dentro do circuito formal e por tantas outras dentro do circuito paralelo.
Também foi premiado em Londrina o ator Paulo Braz com o projeto Olhares Guardados, que conta com a participação de 15 atores portadores de deficiência visual.
O projeto trabalhará a expressividade cênica de cada pessoa, além é claro de propiciar a acessibilidade dos integrantes a cena teatral.


A Peça – processo “Café Quente em Noite Fria” do Grupo Caos e Acaso de Teatro ganhou o Prêmio especial do Júri: “Pesquisa e Execução Musical”, no Festival Nacional de Teatro de Campo Mourão, o FETACAM 2009.



Segundo os Jurados, o prêmio: “foi uma maneira de contemplar o trabalho coletivo do Grupo e qualidade das canções” – comentaram.



Na peça “Café Quente...” as músicas assumem uma perspectiva brechtiana, narrativa, onde têm múltiplas funções como: a de facilitar a compreensão do texto, ou re-interpretá-lo, ora pressupô-lo. Em suma: de assumir uma posição e revelar um comportamento.


Este é segundo Festival “formal” (o primeiro foi o FILO 2009) que o Grupo participa desde sua re-formulação em 2004. DEsde lá, o Grupo vem se dedicando aos trabalhos relacionados à formação e democratização dos meios de produção Cultural, tais como: Formação de Grupos Populares, a Realização da Mostra Nacioanal de TO e a efetivação e Consolidação da Vila Cultural Casa do Teatro do Oprimido, entre outros.



Além da premiação “Café Quente...” recebeu a indicação de Melhor Texto (Roberto Sales*), Melhor atriz (Nádia Burk) e melhor figurino (O grupo). O Espetáculo estará em cartaz em Londrina na Semana SESC de Artes Cênicas, de 28 à 30 deste mês.

* Nunca esquecer que o texto é concebido através de processo colaborativo.

Vejam só os vários golpes que coincidentemente acontecem ao mesmo tempo em cidades diferentes. Enquanto Santo André tem prejudicada sua Escola Municipal de Teatro, Londrina sente cortes financeiros monstruosos na cultura.


INFORME EXTRAORDINÁRIO nº 14 / 2009
São Paulo, 9 de setembro de 2009.


ELT SE MOBILIZA EM SANTO ANDRÉ CONTRA INTERVENÇÃO DO GOVERNO MUNICIPAL
Alunos e mestres da Escola Livre de Teatro (ELT) de Santo André convocam a todos para manifestação dia 11 de setembro, a partir das 14h, em frente da escola, para protestar contra a demissão do ator Edgar Castro, coordenador pedagógico da entidade. A carreata se dirigirá até o Paço Municipal com o objetivo de entregar uma carta de protesto ao Prefeito e ao secretário de Cultura Edson Salvo Melo.
A seguir, segue o manifesto que a ELT está circulando para tratar do assunto. Para mais informações, acesse: http://www.movimentolivre-sa.blogspot.com/ ou http://escolalivredeteatro.blogspot.com/. ELT em Alerta!A Escola Livre de Teatro, projeto artístico-pedagógico que se afirmou como referência para a formação de atores no Brasil e que se aproxima agora dos seus 20 anos de enraizamento na cidade de Santo André, acaba de sofrer um golpe violento: seu coordenador, o ator Edgar Castro, foi sumariamente demitido – para que novamente se plante a velha e já conhecida política de desmantelamento dos quadros críticos que ali atuam e que têm conduzido com diferencial criativo a trajetória da Escola.É assustador, mas nada novo: foi exatamente assim que as coisas aconteceram há aproximadamente dezessete anos atrás, quando houve a chegada do prefeito Newton Brandão (PSDB) ao poder. Este prefeito e seus secretários brutalizantes realizaram a mesma operação de desmanche da ELT agora proposta – criando intervenções absurdas e condições precárias de trabalho que feriram frontalmente a manutenção de seu projeto pedagógico.Um projeto contundente como este (radical desde seu nascedouro, quando foi parido pela artista Maria Thaís Lima Santos, hoje professora doutora da USP; e coerentemente transformado pela experiência, pelos seus diversos mestres, em todos estes anos), para se preservar, não pode dialogar com a descarada mediocridade de idéias e, muito menos, com a mera reprodução de modelos falidos que vigoram nos sistemas educativos corriqueiros. A ELT nasceu e sempre foi diferente e é justamente sua diferença o que lhe confere os louros amplamente colhidos como “projeto que deu certo na cidade de Santo André” e que se tornou referência nacional de ensino de teatro (hoje, chegam pessoas de todo o país para estudar na Escola Livre).Não bastasse a plena e profunda desaprovação de toda a comunidade da Escola em relação a esta atitude autoritária, o que se percebe claramente é o sucateamento do projeto radical de formação de atores (que sempre esteve baseado no diálogo e na autonomia criativa – daí o nome “Livre” que lhe consagrou).Para piorar a situação, a atual Secretaria de Cultura (que se gaba por produzir festas com música sertaneja na cidade) quer fazer engolir, de cima pra baixo e irresponsavelmente, o descarado clientelismo, impondo como figura de liderança para a Escola uma amiga de infância do atual prefeito do PTB, Dr. Aidam. Esta senhora, uma desajeitada tal de Eliana Gonçalves, é pessoa absolutamente desqualificada para ocupar esta função e completamente desconhecida nos meios teatrais (diferença brutal em relação aos atuais mestres).Que uma prefeitura não tenha bons projetos culturais, especialmente quando eleita de supetão e susto, é até comum. Mas quando a falta de projeto vem acompanhada de corrupção (quase nepotismo!) e mediocridade, é ponto revoltante que deve ser comunicado a toda a comunidade, na imprensa e no boca-a-boca (especialmente em casos como este, já que o prefeito Dr. Aidam prometeu, em sua posse, manter vivos os projetos que funcionassem bem na cidade).Hoje a Escola Livre de Teatro recebeu um duro golpe. Mas quem sai machucada mesmo é a cidade de Santo André. Começamos a ver o rosto do lobo por trás da máscara de cordeiro!

Pça. D. José Gaspar, 30 (4º) — Centro — S. Paulo/SP — 01047-010 — (11) 2117 4700 http://br.mc507.mail.yahoo.com/mc/compose?to=central@cooperativadeteatro.com.br

A cidade de Londrina realiza mais uma conferência de Cultura e a diretoria de incentivo à cultura convoca a participação de todos.
A Conferência de Cultura da Cidade De Londrina acontece a cada dois anos e desde sua primeira edição em 2001 vem trabalhando democraticamente (tendo em vista nosso histórico de programas culturais) em busca de uma política pública cultural e com grande avanço. No final de 2002 para 2003 foi criado o Programa Municipal De Incentivo à Cultura - PROMIC, que hoje é referencia nacional de política pública. Nossa cidade possui uma larga produção cultural, vista dentro das mais diversas áreas e esta é uma conquista de todos nós. Certamente sem o apoio do programa que ajudamos a criar, as debilidades de realizações estariam instauradas. O maior exemplo disto é claramente visto nos editais federais, onde são muito poucas as aprovações de projetos para municípios, as capitais acabam levando quase tudo.
Aproveitando o momento para apunhalar, abro aspas para observar o prêmio Myriam Muniz "toda vez que o prémio é votado em Curitiba, incrivelmente a capital fica com 90% deles".
Voltando ao nosso assunto, sem o PROMIC não teríamos conseguido todas as realizações e principalmente transformações que ocorreram. E mais uma vez uma Conferência se concretiza para novos rumos tomarmos em direção ao aprimoramento do programa e de nossa política pública cultural.
É neste momento em que somos necessários, pois os rumos dados após este processo atingirá a todos nós, então que sejam os rumos que todos nós escolhemos. A Diretora de Incentivo à Cultura salienta a importância de neste momento nos fazermos representar: "nós só propiciamos que as coisas aconteçam, vocês é que devem dizer o que? Como? e de que forma deve acontecer. É importante mostrar fortalecimento, representatividade", diz Solange Batiglianna - diretora de incentivo à cultura.
Sendo assim, termino este meu relato apunhalando a classe artística local: "para que não venhamos a passar dois anos reclamando de decisões das quais não aprovamos é necessário dizer o que se deseja para que seja colocado em pauta e discutido. Uma Conferência é sempre feito para ouvir as vozes dos interessados, agora se o sumo dela o aféta de forma desagradada e lá você não esteve para se fazer representar, então, feche o bico".

Foi realizado nesta última sexta-feira, dia 14, reunião Geral para Exposição do Temário e Regimento da V Conferência de Cultura da Cidade de Londrina. Democratizaremos aqui a tese guia desta 5º Conferência:
V CONFERÊNCIA DE CULTURA DA CIDADE DE LONDRINA - 2009


DIREITO À CULTURA E A VALORIZAÇÃO DO PROFISSIONAL DA CULTURA

A cidadania democrática e cultural contribui para a superação de desigualdades, para o reconhecimento das diferenças reais existentes entre os sujeitos em suas dimensões social e cultural. Os seres sociais são sujeitos concretos, entrelaçados em redes de relações, em projetos coletivos. É com base na riqueza dessas experiências e de suas necessidades que construiremos a participação coletiva na vida política e cultural da cidade e da nação. Uma política cultural atualizada deve reconhecer a existência da diversidade de públicos, com visões e interesses diferenciados que compõem a contemporaneidade.
Para que esse debate seja realizado com a profundidade necessária, é preciso, portanto, trabalhar com um conceito abrangente de cultura e um conceito ampliado de comunicação. É preciso pensar a cultura não apenas como o conjunto das expressões artísticas, mas como todo o patrimônio material e simbólico das sociedades, grupos sociais e indivíduos, e suas múltiplas expressões.


1. Cultura Como Política Pública – Novos desafios para a implantação de um sistema público de atendimento

Tratar a questão da cultura no campo da gestão pública requer atenção para alguns pressupostos. Entre eles destacam-se o da necessidade de perceber a cultura na qualidade de bem coletivo e o de observar a interferência das práticas culturais enraizadas nas ações levadas a cabo pelas mais diversas áreas governamentais (saúde, educação, meio-ambiente, entre outras). Uma política cultural que queira desempenhar seu papel tem que ter delimitado claramente seu universo de atuação.
O fomento à cultura em sua dimensão antropológica, não deve ser responsabilidade específica de um setor governamental, deve estar nas diretrizes globais de governo, integrada com o conjunto das áreas de atuação do Estado.
Qualquer processo de gestão requer diretrizes, planejamento, execução e avaliação de resultados, e com a cultura não ocorre diferente. Segundo Teixeira Coelho, no Dicionário Crítico de Política Cultural, podemos ter políticas públicas de cultura elaboradas a partir de duas motivações básicas: a de levar a cultura ao povo – “lema revelador, que mal oculta a representação segundo a qual a cultura e o povo são entidades distintas e afastadas uma da outra, quando não opostas” - e a de responder às demandas sociais.
Nesse último caso, há o fato de que na maioria das vezes as demandas são hipotéticas, pois faltam bases de informações, de pesquisa de público que efetivamente representem a demanda cultural – “nesse caso, o autor da política cultural não toma propriamente a iniciativa do processo, mas limita-se a reagir segundo as reivindicações que lhe são apresentadas”.
O país vive hoje um processo contínuo de construção de projetos coletivos de gestão pública. A base dessa gestão deve ser o reconhecimento cultural dos distintos agentes sociais e a criação de canais de participação democrática. Um dos grandes desafios da gestão pública da cultura e da avaliação das ações implementadas diz respeito à relatividade de seus objetivos e à multiplicidade de efeitos buscados ou por ela alcançados.
As ações públicas têm que ter fundamentos, coerência entre o que se diz buscar e o que se faz de concreto para tanto. No campo das políticas culturais, a relação causa e efeito não é direta. Os resultados dependem da apreciação de outros fatores, estranhos ao processo da ação cultural estrito senso. O principal foco de atuação de um administrador cultural poderia ser resumido em algumas funções básicas: 1 – criar condições para que a produção cultural aconteça; 2 – cuidar da preservação do patrimônio cultural (material e imaterial); 3 – aproximar o produtor cultural do seu público; 4 – criar condições para que as obras entrem num sistema de circulação que lhes possibilite o acesso a pontos públicos de exibição; 5 – avaliar os resultados dos projetos implementados; 6 – estimular a comunidade a desenvolver seu próprio potencial criativo, o que se consegue tanto por intermédio da formação de públicos quanto através da descoberta e da preparação de artistas e dos diversos profissionais da cultura.
Outra questão importante se refere ao fato de que no campo da cultura, em geral, é a oferta que determina a procura, mais do que o inverso. Isso cria a necessidade de programas sustentados por políticas públicas destinadas àqueles modos e práticas não cobertos habitualmente pelas diversas ramificações do mercado cultural.
A tendência mundial aponta para o uso dos recursos de modo que resultem em ações ou produtos (centro de cultural, museu, biblioteca, curso de formação) capazes de se propor como multiplicadores dos ativos culturais, em vez de perseguir-se uma política de pulverização de recursos, que, mesmo cobrindo vastos espaços territoriais, não evita a falta de capilaridade no tecido cultural – como, por exemplo, o financiamento de uma série de eventos em diversas localidades que se apresentem de maneira isolada e como simples forma de entretenimento.
Algumas das questões que se colocam para o debate são as seguintes:
· Definição de responsabilidades (União – Estado – Município) em relação à cadeia produtiva da cultura.
· Construção de processos permanentes de capacitação de gestores e produtores culturais.
· Criação de sistemas de avaliação e acompanhamento sistemático das ações culturais desenvolvidas.
· Formas para garantir a transversalidade da política cultural junto às áreas afins e demais políticas públicas (educação, saúde, meio-ambiente, etc).
Visando a preparação das discussões da II Conferência Nacional de Cultura, que será realizada em 2010, outros dois temas devem servir como base para reflexão e debate:
· Produção Simbólica e Diversidade Cultural - tema com foco direcionado à produção de arte e de bens simbólicos, promoção de diálogos interculturais e formação no campo da cultura.
· Cultura, Cidade e Cidadania - tema com foco na cidade como espaço de produção, intervenção e trocas culturais, garantia de direitos e acesso a bens culturais.


2. Mercado e Marketing Cultural – Soluções para a ampliação da atuação do profissional da cultura

O universo das atividades culturais é enorme. Dentro do que se costuma considerar como setor cultural se encontram distintos tipos de atividades culturais, desde expressões do folclore e da cultura popular, até a cultura midiática, passando pelas manifestações da cultura da elite ou das belas-artes e do patrimônio. As manifestações econômicas que se encontram dentro desse universo também são variadas.
Algumas práticas culturais se desenvolvem no mercado, criando produtos que podem ser vendidos, permitindo ao produtor viver de seu trabalho. Outras são subvencionadas pelo Estado ou por mecenas, ou seja, necessitam de apoio financeiro para se desenvolverem plenamente. Estejam ou não situadas no mercado, como atividades produtivas, todas as atividades culturais têm dimensões econômicas, pois para sua realização são necessários recursos, seja para obtenção de matéria-prima, seja para a realização do trabalho.
Como um fenômeno da última década do século XX, com a promulgação de diversas leis de incentivo à cultura baseadas na renúncia fiscal de tributos, os produtores culturais brasileiros começaram a conviver com uma novidade para a realização de projetos, o Marketing Cultural.
Entende-se que Marketing Cultural é o conjunto de ações que se utiliza da cultura para projetar ou fixar a imagem, nome ou produto de uma organização. É um instrumento qualificador utilizado pela comunicação empresarial, por se associar a expressões e manifestações artísticas culturais.
Utilizado pelas grandes empresas para fixar positivamente sua imagem, é uma das ferramentas mais eficazes e responsáveis na divulgação de produtos e empresas. Atuar na difusão cultural com responsabilidade social, atingindo e beneficiando centenas de pessoas, é uma estratégia arrojada de mercado.
Entretanto, em razão da utilização de valores advindos da renúncia, as empresas não tem mais investido de forma direta no financiamento de produções. Esta situação acaba gerando dificuldade para que produções, que não possuam projetos aprovados, recebam recursos.
Uma das questões que atualmente tem estado em pauta é a de avaliar o papel dos setores da cultura na economia, mediante números concretos que permitam qualificar e quantificar a incidência das variáveis culturais na economia local, nas vendas, contratação de serviços, exportações, importações, empregos, transações com direitos de autores e intérpretes, entre outros.
Tais números têm papel fundamental na formulação de estratégias de ação: ajudam a dar visibilidade a um setor que até pouco tempo somente era reconhecido pelos seus valores simbólicos. O setor cultural não é só um lugar de demanda de recursos, pois uma parte dele, além de financiar as atividades que gera, rende ou pode render importantes benefícios econômicos de alcance variado. Os números da produção cultural, reunidos com os dados de consumo, permitem identificar problemas, potencialidades, oportunidades e riscos nos processos econômicos da área cultural.
Algumas das questões que se colocam para o debate são as seguintes:
· Formas de alcançar maior atratividade das ações culturais.
· Processos para formação de público nas mais variadas linguagens.
· Formação de práticas associativas.
· Construção de indicadores do mercado da cultura.
· Relações entre cultura e desenvolvimento sustentável
· Estratégias da cultura no processo de desenvolvimento econômico


3. Novos Mecanismos de Fomento a Produção Cultural e Aprimoramento do PROMIC

Diversos países a partir dos anos 1980 tiveram seus orçamentos diminuídos e, a partir de então, têm procurado desenvolver uma legislação que estimule a diversificação das fontes de financiamento para a cultura, em muitos casos buscando a parceria com o setor privado.
A questão das fontes de financiamento deve ser pensada dentro do conjunto da política cultural. Isaura Botelho, ao analisar políticas de financiamento de diversos países, chama a atenção para o fato de que “sendo o financiamento um dos mais poderosos mecanismos para a consecução de uma política pública, ele deve ser a tradução de um objetivo que se quer alcançar. É através dele que se pode intervir de forma direta na solução de problemas detectados ou no estímulo a determinadas atividades, com impactos que podem ser relativamente previsíveis” (Moisés e Botelho. 1997. p. 96).
Mesmo nos países onde investimentos privados prevalecem sobre investimentos públicos, como é o caso dos Estados Unidos, cabe ao Estado o papel da regulação desses investimentos, promovendo-se a correção ou compensação das desigualdades econômicas e sociais, quer de minorias étnicas, quer dentro das próprias atividades culturais – caso, por exemplo, do seguro desemprego para a área teatral.
Caminhamos hoje rumo à valorização da diversidade cultural e esse movimento deve estar acompanhado da criação de mecanismos institucionais e de mecanismos de financiamento que permitam a expressão dessa diversidade, que contribuam para a criação de redes mais amplas de circulação da produção cultural.
A política pública de cultura em Londrina, nos últimos 8 anos, foi implantada sobre três pilares:
- O Promic – Programa Municipal de Incentivo à Cultura realiza o fomento aos projetos nascidos dos grupos de criação cultural da cidade através do financiamento público direto, eliminando a intermediação de recursos públicos por agentes e interesses privados. Significou o reconhecimento pelo poder público de que a sociedade é a protagonista da cultura e que o papel do poder público, além de prover recursos, é zelar para que o fomento municipal caminhe em direção ao interesse público e às diretrizes culturais democraticamente aprovadas pela Conferência de Cultura.
- A existência de controle social e co-gestão: a Conferência de Cultura bienalmente avalia e define os rumos da política cultural. O Conselho Municipal de Cultura, os Conselhos Regionais e as Câmaras de segmentos culturais estabelecem prioridades, aprovam ações e fiscalizam o processo cultural. Os projetos são avaliados por comissões independentes e autônomas, onde o Conselho indica parte significativa dos membros (60% na CAPC e 40% na CAPPE).
- Programas públicos de cultura, que recebem projetos para sua execução: esses programas estimulam e dimensionam ações culturais para a municipalidade, baseados em projetos de iniciativa e criatividade dos artistas e grupos.
Algumas das questões que se colocam para o debate são:
· PROMIC – Fomentador das atividades culturais: conquistas e melhorias.
· Financiamento privado: formas de acesso para os produtores culturais.
· Instrumentos de avaliação dos recursos necessários ao desenvolvimento de cada área da cadeia produtiva da cultura.
· Gestão e institucionalidade da cultura.


4. Profissionais da Cultura – Valorização e atuação profissional

Agente cultural é aquele que, sem ser necessariamente um produtor cultural, envolve-se com a administração das artes e da cultura, criando as condições para que outros criem ou inventem seus próprios fins culturais. Num sentido mais amplo, consideramos como profissional da cultura, além do agente cultural, o produtor cultural.Tendo em vista a cultura como “negócio”, no sentido mais generoso da palavra, numa linha de ação e atuação pensada em eventos e shows, de uma forma genérica como produto cultural, num mercado cada vez mais competitivo, o profissional da cultura deve estar preparado para atuar no seu meio e ainda preocupar-se com seus deveres e direitos como cidadão. Aposentadoria, contribuição sindical e social, INSS, são alguns dos pontos a serem considerados pelos profissionais da área cultural.
Neste sentido, considerando a capacitação profissional, os profissionais devem estar aptos a enfrentar novos desafios: conquistar a valorização da produção artística; buscar a auto-sustentabilidade de suas ações culturais; estar capacitados profissionalmente para promover, quantitativa e qualitativamente, a ampliação de seus negócios; saber promover o desenvolvimento de estratégias específicas de gestão para as diversas áreas e segmentos da produção cultural. Além desses desafios, integrar os conhecimentos técnicos e estratégicos das áreas de economia, administração, direito, comunicação e tecnologia à esfera cultural.
Algumas das questões que se colocam para o debate são:
· Formas de fomento à criação de cursos de formação e aperfeiçoamento nas várias áreas que compõem a cadeia produtiva da cultura.
· Modos de valorização do profissional da cultura.
· Regulamentação da categoria do profissional da cultura.
· Infra-estrutura cultural: mapeamento e avaliação.
· Criação e atualização sistemática de cadastro geral de produtores e projetos culturais.
· Expansão de horizontes profissionais.


Senhoras e senhores, este é o exposto referente ao evento! Críticas, observações e todo tipo de comentário seram feitos, só não exponham aqui detras desta tela de computador, façam melhor, estejem presentes lá e se façam ouvir. Todos teram voz!!!

20:10

Arte A Quem Ela Pertence

Postado por Quintalvoler |


A décadas a cidade de Londrina espera por seu Teatro Municipal e após a última gestão política o tema voltou a tona, já existe projeto arquitetônico aprovado e "espaço" aprovado, contudo, ele insiste em não se concretizar e agora artistas criaram um movimento intitulado "Movimento dos Sem Teatro" para intervir sobre a questão.
Londrina já viu de tudo nas últimas décadas, gestões públicas que acham que cultura é pão e circo, outras que é desnecessária, ou assistêncialista, outras que tentam, mas por não entenderem do assunto acabam por não conseguir e os que conseguem algum avanço, enfim, o fato é que gestão após gestão a questão do Teatro Municipal vem se arrastando como algo que sempre pode ser deixado para depois. A última gestão pública até conseguiu encaminhamentos, aprovou-se o projeto arquitetônico e definiu o espaço físico de instalação do dito cujo, mas novamente mudamos de gestão e o que até então era ideia e agora é papel assinado, parece que se envereda ao arrastamento sem previsão.
Artistas locais agora iniciam uma sequência de interferências para enaltecer o fato e não sem razão, afinal de contas Londrina já é vista no cenário nacional como grande produtora de cultura e exemplo de política pública cultural. Através do chamado "MST - Movimento dos Sem Teatro", alguns artistas reivindicam a construção efetiva do Teatro, agindo nos bares, espaços públicos, espaços culturais, Câmara de Vereadores, e todo e qualquer espaço que tem acesso.
A interferência é de grande valia, deve ser aderida e levada a cabo, mas não seria também este o momento de pensar, reivindicar e lutar para que esta estrutura física pertença a quem lhe é por direito, a população? Ou, aos que conhecem o projeto efetivamente, meus caros você acreditam cinseramente que todos nós teremos acesso a este espaço? Acreditam que ele não será elitizado, tendo acesso a ele só aquilo que dentro de nossa lógica capitalismo é considerado vendável? Não sejamos ingênuos, achando que será um espaço público onde todos terão acesso.
Mais do que nunca, já que consideramos estar tão perto de efetivamente consegui-lo, devemos lutar também para que esta estrutura física, que no papel é monumental, seja acessível a todas as linguagens, gêneros e públicos. A arte pertence ao povo e se não é feita para o povo, então não é arte, é entretenimento para burguês ver.
Devemos estar atentos enquanto população, artistas e usufruidores de cultura, para que não se construa uma estrutura monumental da qual só olhares de longe e ao apreciar sua grandiosidade e beleza venhamos nos flagrar dizendo: "só a panelinha tem acesso" ou "só gente rica entra aí, o que eu vou fazer lá" ou ainda "teatro! Não sabia, pensei que fosse um shopping". De que vale um Teatro sem sua real plateia.

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