Sou alguém que vive de arte, de teatro, de música e sobrevivo porque acima de tudo acredito no que fasso, não tenho o teatro enquanto fim, mas enquanto meio, veículo político de trabalho.
Arte não é blaser, ela esta a serviço da transformação do ser humano, consequentemente de nossa sociedade. E todo aquele que a utiliza para outro fim que não este, a utiliza enquanto entretenimento, nada contra, mas sinceramente, entreter é alienar ou no mínimo colaborar para a manutenção do que já esta posto.
A injustiça passeia pelas ruas com passos seguros.
Os dominadores se estabelecem por dez mil anos.
Só a força os garante.
Tudo ficará como está.
Nenhuma voz se levanta além da voz dos dominadores.
No mercado da exploração se diz em voz alta:
Agora acaba de começar:
E entre os oprimidos muitos dizem:
Não se realizará jamais o que queremos!
O que ainda vive não diga: jamais!
O seguro não é seguro. Como está não ficará.
Quando os dominadores falarem
falarão também os dominados.
Quem se atreve a dizer: jamais?
De quem depende a continuação desse domínio?
De quem depende a sua destruição?
Igualmente de nós.
Os caídos que se levantem!
Os que estão perdidos que lutem!
Quem reconhece a situação como pode calar-se?
Os vencidos de agora serão os vencedores de amanhã.
E o "hoje" nascerá do "jamais".
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